sexta-feira, 24 de junho de 2011

Phil mandou, eu faço

Divagar. Uma das coisas que mais faço. Minha cabeça está sempre a mil por hora. E um dos momentos em que eu mais divago é antes de dormir. Bem naquela hora que o sono ainda não veio direito. Vendo seriados e lendo e falando baboseiras de 140 caracteres, lembrei-me da personagem Silver do seriado 90210 onde ela desabafa sobre a situação da doença de sua mãe e diz que "às vezes dá vontade de gritar". Aí seu amigo-namorado-ficante-gato a leva pro alto de um prédio pra um momento relax (que eu não me recordo qual era porque aqui acho que confundi com a cena de outro seriado). Pois bem. Me senti igualzinha. E com vontade de gritar por muito tempo. Só que no meu caso a pessoa que "me levou para o alto do prédio" também foi aquela que quase acabou com a minha auto-estima. Refletindo sobre minhas atitudes e me martirizando com isso cheguei à conclusão de que, quer saber, foda-se. Demorei tanto tempo pra me reestabelecer! E demorei mais ainda pra encontrar pessoas que me fizessem bem. Se diversão faz parte do pacote e toda a loucura nela contida também, dane-se. Essa sou eu no alto de um prédio agora having a good time with my friends.









I'm free to do what I want.



E o Phil não manda em nada.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Vieram mais de você do que de mim. Faça deles o que quiser."

Eis que em uma madrugada tediosa ele veio falar. Finalmente veio. E em meio a algumas frases soltava um "você se lembra?". Gostaria de lembrar. Acostumada a guardar mais as coisas ruins do que boas, esqueceu-se daquele copo de cerveja, das páginas amarelas e até da dedicatória bonita no livro. Todas as memórias foram soterradas por outros acontecimentos. Num certo tom de desabafo, escancarou todas aquelas palavras na sua frente. Belas palavras. Doces. De extrema sensibilidade. Trouxe meus 17 anos de volta bem ali naquela conversa. Ah, se ele soubesse que talvez ela não era mais digna de tais palavras! Senti como se ele tivesse escrito pra um fantasma. Como se aquela menina pra quem ele escreveu tudo aquilo fosse outra pessoa. E é bom que ele se lembre de mim do jeito que eu era. É bom que ele nem veja o que me tornei.











Tão bonito. Guardei no coração.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Whatever

Inquieta. E isso é perceptível pela quantidade de posts essa semana. Não ligo e nem precisa ler se não quiser, sabe. Gosto de ficar em casa. Pelo menos aqui me sinto a salvo dessas ruas que já conheço de cor, que pra mim já estão gastas e que trazem rostos familiares e entediantes. Vasculho alguns contatos em busca de alguma possível companhia pra uma cerveja. Mentira. Ando por aqui só para sentir frio mesmo. A cidade tá mais longe do que quem está realmente longe. Não faço mais questão. Não faz mais diferença. Já fui embora faz tempo...







I hate this town.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Lápis, papel e nenhuma vergonha na cara

Talvez aquele velho clichê de garotas desiludidas que se jogam nas ruas à noite escancarando seu cetiscismo por aí. Que não procuram nada além da mais pura (ou nem tão pura) diversão. Elas têm sede, têm pressa. Andam rápido e se esquivam de alguns rostos familiares. Elas são tão bonitas e suas bocas são cor de cereja. Não param nunca e parecem sempre estar à procura de algo que nem elas mesmas sabem o que é. Talvez não tenha nem nome. Elas dançam e chamam a atenção pelas madrugadas frias. Estão em todo lugar. Não possuem um jeito convencional, por isso causam estranheza e até um certo receio. São bem mais encantadoras de cara lavada e pijama. Apreciam bebidas fortes, assim como os perfumes e vão cada vez mais longe. Longe de casa, longe de si. Longe de eventuais laços e afeição. Quem sabe precisem de cuidado. Quem sabe não. Caminham sempre juntas, mesmo separadas por alguns quilômetros inconvenientes. Não precisam entendê-las se não quiserem. Talvez nem devam. Só não tenham medo pois são inofensivas. Essas garotas que se escondem de dia e só aparecem na noite não causam mal, pelo contrário. Estenda a mão e elas te ensinarão a dançar...







"I've gone crazy
Cause there are things in the streets I don't believe
So we'll pretend it's alright and stay in for the night"

domingo, 19 de junho de 2011

What angry star runs your devil heart?

Finjam que esse texto não tem um começo. Podem fingir que isso é direcionado a alguém. Finjam que é um desabafo. Não, melhor nem levar estas palavras a sério se você procura ler sobre coisas bonitas e algodão doce cor-de-rosa. Regurgitar o que é preciso de forma comedida e polida não é fácil quando a vontade é dizer uns bons palavrões. Mas não se trata disso. Trata-se de escolhas. Quando escolhemos pensar no bem-estar do outro antes do nosso, corremos o grave risco de nos frustrarmos e de presenciar situações que poderiam ser evitadas. Que são desnecessárias. E nas quais você pensa: "o que eu faço? por que não ficam bem?". Porque é mais fácil complicar. Porque dar o braço a torcer não faz com que a gente consiga as coisas. É assim que funciona? Tornar a atmosfera ao redor "pesada" pra que a sede de atenção seja sanada. Tão eficaz quanto cansativo. Não parece haver satisfação. Nunca, jamais. Não é um episódio específico, mas vários. Episódios aliás que fazem com que o roteiro seja parecido com outros. Nos quais atuamos sem nos identificarmos com aquele papel. Mas esse é o ponto do texto em que as coisas se fundem e nem sei mais do que se tratam esses lamentos. Esquecer-se de si em prol dos outros é um belo exercício pra se esquivar da própria mediocridade. Faz bem, muitas vezes. Só que às vezes nos perdemos e acabamos acreditando naquele papel que mencionei antes, que pedem pra você fazer. Pena que para os telespectadores você está restrito àquilo: uma louca perdida que não sabe o que quer. Quando na verdade é tudo mais simples. Perder-se por alguém e ir na contramão daquilo que realmente importa sucumbindo a qualquer frivolidade não é uma opção. Não enquanto houver algum resquício de vergonha e uma certa timidez. Soltar as rédeas pareceu tão fácil; pegá-las está fora do alcance. Mas também não se trata disso. Ou sim. Acabo de reparar que pelo menos uns quatro textos anteriores poderiam ser resumidos em uma única frase: sinto cada vez mais saudade de mim.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

When she walks her footsteps sing a reckless serenade

Escreve uma linha. Apaga. Escreve outra. Apaga. Escreve pela terceira vez. Apaga. Comecei a escrever mais essa confissão assim. Mais essa tentativa frustrada de tentar aplacar alguma coisa que nem eu mesma saberia titular. E como poderíamos prever que com o tempo deixaríamos de colocar a culpa nas coisas e nos borrões noturnos pra finalmente admitir que não tem mais jeito? Que não tem mais volta. Que se perde cada vez mais. É como tomar uma dose diária de veneno até que, de repente, o coração pare de bater. Às vezes recorria às lágrimas pra expurgar alguma possível vergonha ou tentar buscar redimir-se de eventuais desacertos. Bobagem se a alma já está impregnada por manchas que tão cedo não serão removidas. É estranho olhar no espelho e ver algo de diabólico ali no rosto de menina. E mais estranho ainda é aceitar esse lado até então desconhecido. Nocivo não para os outros, mas para si mesmo. É assim, nessa dualidade que percorro alguns caminhos que talvez não tenham volta. Não levo bússolas, nem mapas, nem deixo o peso da bagagem atrapalhar. Assumir finalmente que cada vez mais vou na contramão das coisas que desejo, só pra quando conseguir não sentir saudade do tempo em que quase nada importa. E que é agora. Ir, ficar. Não importam-me paradas, pontos fixos e porto-seguro se aqui dentro as coisas estão sempre em um ritmo frenético. Se são imóveis. Lugares, rostos, vozes que se desfazem assim que o dia ganha vida. Disso ficam algumas manchas no corpo, alguma bebida, bagunça. Nada nunca permanece. Cada vez mais difícil dizer "tchau". Ou pior: cada vez mais distante de um eventual pedido susssurrado talvez entre palavras duras e saído de alguma ponta de fragilidade confessa: "fique". Cinco letras aprisionadas em algum canto por aí e longe de serem libertadas. Tão longe...







"Yeah, that's me exerciting my detachment"

terça-feira, 24 de maio de 2011

Nos dias em que o amanhecer é mais laranja

Eu gosto do inverno e não é nenhum segredo. Não apenas pelo charme característico da estação, mas porque me lembra muito a minha infância. Não que eu seja saudosista (na verdade nem lido muito bem com o passado), mas disso eu gosto de lembrar porque me ajuda a me entender um pouco. Lembro-me bem das cortinas do meu quarto. Tinha uns desenhos que quando o sol batia de manhã cedo, intensificava suas cores. E eu amava o peso das cobertas também. Há quem odeie, mas acordar no inverno tem toda aquela adrenalina de sentir a roupa gelada entrando em contato com o corpo quentinho. Tinha as viagens à Lages naquelas manhãs lindas de céu azul que chegava a arder o olho. Lembro-me bem das músicas que o pai colocava na viagem; aquelas coisas tradicionalistas que a gente detestava. Lembro-me da casa das minhas avós, sempre nos esperando com comidas deliciosas e chimarrão. Nos sábados de manhã, gostava de ouvir minha mãe levantando pra fazer café e ligando o rádio. Eu reclamava, mas logo ia ter aquele vento gelado lá fora pra andar de bicicleta usando luvas. E como meu cabelo preto cheio de cachos ficava bonito naquele casaco vermelho de veludo... Hoje eu me sensibilizei ao recordar de todas essas coisas. Porque depois de grande o frio incomoda, o peso das cobertas não importa. Na verdade, nem sinto mais tanto frio. Os cachos do cabelo sumiram e o vento, bem, o vento é bom pra secar as roupas. Tantos afazeres. Tantos, milhares. Crescemos, enfim. Fica quase impossível alcançar algum lugar quando esquecemos do berço. Do lugar e das pessoas com quem a gente tem um laço feito de sangue e genes em comum. Das coisas que mais me lembram a infância, resta minha família. Esqueci-me de por essa pitadinha de amor deles nos meus dias frios. Eis o verdadeiro refúgio. Eis o verdadeiro lar. E se deixei escapar por um minuto que fosse, se deixei-me entrelaçar por escolhas erradas é porque peguei trilhas erradas. Falta esse tipo de carinho verdadeiro. Falta esse colo. Falta amor, menina. Falta amor.







Let there be love.