terça-feira, 24 de maio de 2011

Nos dias em que o amanhecer é mais laranja

Eu gosto do inverno e não é nenhum segredo. Não apenas pelo charme característico da estação, mas porque me lembra muito a minha infância. Não que eu seja saudosista (na verdade nem lido muito bem com o passado), mas disso eu gosto de lembrar porque me ajuda a me entender um pouco. Lembro-me bem das cortinas do meu quarto. Tinha uns desenhos que quando o sol batia de manhã cedo, intensificava suas cores. E eu amava o peso das cobertas também. Há quem odeie, mas acordar no inverno tem toda aquela adrenalina de sentir a roupa gelada entrando em contato com o corpo quentinho. Tinha as viagens à Lages naquelas manhãs lindas de céu azul que chegava a arder o olho. Lembro-me bem das músicas que o pai colocava na viagem; aquelas coisas tradicionalistas que a gente detestava. Lembro-me da casa das minhas avós, sempre nos esperando com comidas deliciosas e chimarrão. Nos sábados de manhã, gostava de ouvir minha mãe levantando pra fazer café e ligando o rádio. Eu reclamava, mas logo ia ter aquele vento gelado lá fora pra andar de bicicleta usando luvas. E como meu cabelo preto cheio de cachos ficava bonito naquele casaco vermelho de veludo... Hoje eu me sensibilizei ao recordar de todas essas coisas. Porque depois de grande o frio incomoda, o peso das cobertas não importa. Na verdade, nem sinto mais tanto frio. Os cachos do cabelo sumiram e o vento, bem, o vento é bom pra secar as roupas. Tantos afazeres. Tantos, milhares. Crescemos, enfim. Fica quase impossível alcançar algum lugar quando esquecemos do berço. Do lugar e das pessoas com quem a gente tem um laço feito de sangue e genes em comum. Das coisas que mais me lembram a infância, resta minha família. Esqueci-me de por essa pitadinha de amor deles nos meus dias frios. Eis o verdadeiro refúgio. Eis o verdadeiro lar. E se deixei escapar por um minuto que fosse, se deixei-me entrelaçar por escolhas erradas é porque peguei trilhas erradas. Falta esse tipo de carinho verdadeiro. Falta esse colo. Falta amor, menina. Falta amor.







Let there be love.

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