domingo, 26 de fevereiro de 2012

Bagagem

Eu sabia que em alguma hora isso iria acontecer. Que teria de enfrentar todas as coisas que se passariam na minha cabeça na véspera da tua partida. Então, cá estou numa tentativa de expressar adequadamente aquilo que sinto em relação a isso. E para teres certeza de que nossa amizade não mudará com essa distância cretina. Bem, lá vou eu.

Vai fazer um ano do início de tudo. Daquilo que começou controverso e que, aos olhos daqueles que nos conheciam, era estranho. Como elas poderiam se tornar amigas? Como? Lembro-me como se fosse ontem do pavor que senti quando vieste falar comigo. Não sabia o que esperar além de xingamentos óbvios. Ao invés disso, quiseste esclarecer todo aquele incidente e, de certa forma, achei incrível. E dali em diante teria início algo que somente a palavra "amizade" não seria suficiente para descrever.

Março de 2011. Grito Rock. Não sou mais tão boa com datas quanto costumava. Só recordo do frio na barriga de não saber o que esperar. Porque sim, estava indo ao encontro de uma pessoa que até então me "odiara". Todo o receio se desfez assim que abriste a porta e me recebeu tão naturalmente na tua casa. Com vodka. Foi um misto de alívio e alegria. Aposto que nem nossos amigos que presenciaram a cena, acreditavam no que viam. Mas foi intenso desde o princípio e já voltei com a certeza de que te veria de novo. Só não sabia no que isso se transformaria.

"Alma gêmea loira". Não tem melhor descrição. Tão parecidas e de certa forma diferentes; complementares. Já estou aqui imaginando tudo que é nosso, só que sem tua presença. As músicas, os lugares e as piadas que a gente inventou (ou plagiou do Marcelo) para rir daqueles que querem nos ver pelas costas. Diziam Que e You Only Live Once não terão a mesma graça, perderão totalmente o propósito. Elas e todas as ruas e cidades pelas quais costumávamos andar. Fico ensaiando meu retorno a eles e não consigo deixar de pensar em como será. Meio "vazio", eu suponho.

Foram tantas as aventuras que algumas até me escapam. Ficam perdidas em meio à outras coisas tão importantes quanto. Desde as choradeiras até aquela generosidade e o cuidado uma com a outra já tão conhecido. Do nosso jeito, claro. Respeitando uma o espaço da outra e sem cobranças. Como tu mesmo já disse, nosso encontro foi muito "destino" e jogar isso ao acaso é loucura. Farei de tudo para que o que construímos não morra e tenho certeza de que farás o mesmo.

As outras coisas que tinham que ser ditas estão na carta imensa que escrevi. Confiei o que pude à memória, inclusive os soninhos com o Sahar. As rodoviárias, as caronas, a polícia, as fotos, as piadas, eu lá e você aqui. Tudo. Os dias que virão serão de certa forma inimigos. O que me conforta é que estarás bem. E quando não estiver, já sabe. Daqui eu não saio. Separadas agora não por algumas rodoviárias, mas aeroportos, escalas, países e um fuso-horário que eu nem sei de quantas horas é. O importante é o que levamos dentro de nós, não é? Repito: Shakespeare foi um sádico filho da puta quando disse que a "despedida é uma dor tão doce". Elas são mortais, isso sim. Mas a gente consegue deixar um pedacinho intacto; aquilo que a saudade não destruir, para o reecontro. Esses sim são doces.


Boa viagem, blondie. Dublin ficará muito mais bonita com você lá, não tenho dúvidas. Te amo e te espero. We're in this together.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

I'm alone on a bicycle for two.

Abri o blog só para tentar organizar os pensamentos e aquela ânsia de escrever. O difícil é colocar toda essa gama de sentimentos e sensações em palavras, digamos, simples. Têm sido dias estranhos, despedidas deixam-me bagunçada por dentro. Despedidas implicam mudanças e toda aquela coisa de acostumar-se com a ausência, mas prefiro guardar isso para outro momento.

Encontro-me numa confusão tremenda. Dias péssimos sempre trazem sonhos estranhos e com eles vêm algumas vontades escondidas; escamoteadas em meio ao meu subconsciente. Procuro prestar atenção nesses "sinais" pois em alguns deles estão meus verdadeiros anseios e acima de tudo as coisas das quais eu sinto falta. É possível sentir falta daquilo que nunca tivemos? Não tenho certeza, mas penso que isso tem a ver com algo nunca antes visto e que gostaríamos de experimentar, de sentir.

Gosto da minha introspecção por isso: o silêncio me ajuda a colocar os pensamentos no lugar. Passo horas e horas pensando e, embora às vezes isso não me leve a lugar algum, me acalma. É como se precisássemos dar um tempo de tudo e de todo mundo. Há quem tenha problemas em ficar na sua própria companhia. Para mim não há mal algum. Tá certo que para uma menina de vinte e um anos o certo seria estar em algum lugar com uma música ensurdecedora e enchendo a cara de cerveja, mas essa concepção de "diversão" às vezes não preenche meus vazios, minhas carências. O bom de ir se conhecendo melhor com o passar dos anos é que você aprende a respeitar os seus momentos e as suas vontades. Tudo bem que o tédio vem como um bônus nessas noites de auto-análise, mas, mesmo assim, gosto dessas noites que parecem ter duzentas horas.

Óbvio que tem o lado ruim também. Óbvio. Assim como na minha vida em que, aliás, o lado ruim se sobressai. Fico aqui pairando acerca da minha mediocridade. Solitária e frágil. Fazendo milhões de indagações que vão desde de "como as pessoas me veem" até "será que eu passo a impressão de uma pessoa auto-suficiente demais?". Ridículo, eu sei. Mas colocam minha cabecinha para pensar fazendo-me refutar minhas próprias teorias. Não é possível que viverei por mais algum tempo considerável nadando em culpa e amargura. Coisas como essa vão além de um simples querer e penso não estar pronta. Só sei do que não quero e isso já é alguma coisa.

Sempre fui uma defensora de que primeiro é preciso cuidar de si para depois doar-se aos outros. E vou continuar defendendo. O que talvez eu não tenha pensado é que o outro também pode cuidar de nós e vice-versa. Ainda não achei ser humano leal e paciente a esse ponto. E disposto a aturar alguém tão rabugento quanto eu. Excesso de desamores mata a gente e nos deixa assim, pensando, refletindo e pensando mais um pouco. Nada precisa ser tão solitário e deprimente. Diz a garota que preferiu passar o sábado em casa ao invés de encher a cara de cerveja.


My eyes are so bleary
I guess I'm young but i feel so weary
I've tried to express it
But I think its all a bore
Its at the heart of me
A very part of me

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Talvez o último

Com a chegada de um novo ciclo de acontecimentos, uma reflexão - por menor que seja - faz-se necessária. Joga-se fora o que já não tem mais tanto sentido para dar espaço a algo desconhecido, porém renovado. O futuro é agora, aqui, já. Embora seja uma incógnita, sinto-me perdida em um amontoado de coisas e sensações que já não fazem mais sentido. Injeto coragem, rabisco alguns planos a curto prazo e elaboro mentalmente uma rota para seguir. Condenei de todas as formas possíveis uma covardia da qual fui refém; fruto de traumas que serviram durante algum tempo de justificativas para todo e qualquer tipo de desacerto.

Promessas não existem por aqui. Uma vez feitas, fica difícil cumpri-las. A única forma que encontrei de fazer alguma coisa funcionar e não me frustrar tanto com a minha existência foi pensar um pouco mais em mim. Sem qualquer tipo de culpa por isso ou sem me sentir uma egoísta. Às vezes olhar para o próprio umbigo faz bem - assim você pode construir uma vivência mais saudável com aqueles que o cercam.

Durante muito tempo tive dúvidas e medo: sentimentos extremamente paralisantes. Talvez ninguém entenda o objetivo do que poderia ser um discurso libertário e nem espero que o façam. Soltar-se daquilo que nos puxa para trás não é tarefa fácil e a busca pela felicidade exige renúncias. E nem só a busca pela felicidade, mas o reconhecimento de que existe muito mais para ser visto. Penso que só assim somos capazes de adquirir alguma vivência; se ficarmos restritos a trivialidades corremos o risco de perder experiências incríveis.

Ando enfastiada, com uma fadiga enorme e enjoada da mesmice. Cansada de ver todo mundo ir e de ter a impressão de que o mundo gira sem mim, de que os dias passam iguais. Quero mais, sempre quis. E lamentações nunca foram meu forte. Os tapas na cara dessa "passagem" chamada vida já me foram suficientes. Apavora-me o fato de galgar uma existência feita de "pentimentos" como li esses dias. Construiram-se bons alicerces e por agora penso que são suficientes se caso algo der errado. Nada é permanente, mas é preciso ir. Segue-se o fluxo e o futuro é ambicioso.

Alimento-me da insegurança que ainda me atormenta e que ao mesmo tempo serve de combustível para algo maior. Não estamos ficando jovens com o passar dos dias. Constatação infeliz, porém necessária. O tempo é inimigo e sempre trabalha contra. Sentar e esperar que algo de bom caia no meu colo não é uma opção. Executar e não apenas sonhar. O medo que tanto me assombrou hoje diminui de tamanho: ponho ele num cantinho e sigo. Há espaço para outras coisas e, acima de tudo, há vontade. Vontade de ser mais do que alguém medíocre. Eu quero ir atrás daquilo que faz bem. Levando comigo somente aquilo que faz bem e que me impulsiona. Tenho a impressão de que só assim terei pelo menos uma nesga daquilo que nos torna seres humanos menos pífios. De concreto, algumas dúvidas apenas. Torço para que as respostas estejam no caminho.


"Eu fui cuidar de mim".

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Seguir

A única coisa boa que você tira de uma experiência ruim é o aprendizado. É você poder chegar para alguém e dizer que depois das dificuldades "tudo vai passar". Porque, claro, para nós que continuamos aqui nesse planeta a vida continua. Não vai ficar mais fácil: você pode achar que superou e, de repente, sentir aquele aperto no peito no meio do seu café da tarde. Não vai ficar mais fácil por esse motivo bem simples: perder os pais é algo natural, mas que nenhum de nós está preparado. É arrasador em qualquer fase da vida, sejamos mais maduros ou não. O único consolo que eu poderia dar é que um dia a gente acorda e tudo está no lugar novamente. A gente só fica bem quando esquece que tem a obrigação de ficar bem. Nós sobrevivemos, enfim. E a vida segue...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Epic

Pra dar errado, basta planejar. O que estava previsto era evidente. Ao fim de tudo, cadeiras, conversas e garoa. Já era tarde e o dia tomava forma à medida que as luzes ainda acesas tornavam-se desnecessárias. Algumas sensações incômodas persistiram; aliás elas vêm se acumulando desde a volta. Embora nada tenha a ver com aquelas horas tão doces que antecediam aquele amanhecer violeta. Chegaram tão perto...


- Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás.
- Nem sei porque eu disse essa frase. Odeio essa merda, é tão clichê!


Em seguida uma sequência daqueles sorrisos matadores envoltos em fumaça. Nada mais.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Born to be wild

2012 com cheiro de bebê. Um ano novinho em folha, cheio de novidades. É, 2011 terminou e já vai tarde. Pra esse ano o que eu quero? Coisas boas, claro. Sem grandes promessas e planos mirabolantes. Vamos fazer o melhor que pudermos com o melhor que temos. Simples assim.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

"As estrelas vão me aplaudir de pé"

Uma infinidade de bandas e músicos conquistou meu respeito e verdadeira adoração esse ano. O que é meio complicado quando o "estilo" foge um pouco do que eu costumo ouvir/curtir. Mas aí tem esse meu amigo Luís Gustavo, que tem um gosto musical parecido comigo e que já me fez viciar em pelo menos umas quatro bandas. Entre essas bandas está a Supercombo. Digamos que num primeiro momento a banda não me agradou muito: foi necessário eu ver um cover de uma música deles pra derreter o gelo. E eu derreti. A Supercombo foi me conquistando aos poucos com suas melodias bem trabalhadas, passeando pelo eletrônico. Sem contar com o vocal do Léo Ramos que é incrível. Apesar do pouco tempo de estrada (a banda existe desde 2007), eles já têm três trabalhos lançados: Festa? de 2008, um EP que leva o nome da banda e saiu ano passado e o excelente Sal Grosso que saiu do forno em 2011 e ainda tá quentinho. Meu amigo Luís e eu estamos ansiosíssimos para que essa turnê deles passe por Santa Catarina. E como estamos.




Ficou curioso pra saber mais sobre esses guris do Espírito Santo? Aqui ó:
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@Supercombo



Enjoy!