domingo, 13 de novembro de 2011

Nada (im)pessoal

Você escreve qualquer coisa em alguma dessas redes sociais e automaticamente as pessoas acham que te conhecem a fundo. Acham que sabem seus gostos, seus medos, que conhecem seus amigos. Bem sabemos que isso não é verdade e que essa falsa intimidade atrapalha muitas vezes. Você pode ler o que eu escrevo e achar que me conhece muito bem quando na maioria das vezes o que parece exposição exagerada é camuflagem. As pessoas abriram mão do contato. Abriram mão de ouvir a voz, de sentir o cheiro, de dialogar, de abraçar. Muitas vezes o que aproxima também afasta, tornamo-nos vítimas do que deveria ser apenas um "complemento", um reforço nas relações (principalmente naquelas em que a distância física atrapalha). Esquecemo-nos de como é bom estar perto de verdade e de como é o olho no olho, o toque. E de como é bom uma gargalhada real e não somente uma sequência de caracteres digitados aleatoriamente. É preciso mais telefonemas, mais cartas, mais calor. Impessoalidade demais esfria a gente, sabe?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

E se não der?

Eu choro ou continuo num faz de conta?











Ainda no clima de um dos shows mais meigos do ano. E do final de semana mais intenso do ano também.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Terceira pessoa

A escolha das palavras é feita meticulosamente. Para ele pouco importa: com certeza não a vê da mesma forma que ela o vê. Rodar vasculhando as palavras que se encaixem perfeitamente para, no fim, nunca dizer o que quer. Olhar para trás e ver que aqueles meses trouxeram uma sucessão de "nadas" até que tropeçou nele. E que ele viria a figurar naquela lista de motivos para visitas mensais em cidades vizinhas. É evidente a tentativa. Tentativas que se repetem e sensações que ela sabe de cor. "Infinitos variáveis", lembra? Tem a ver com trincheiras em chamas e aquela coisa toda. Não é recíproco, quem sabe nunca será. Aí ela lembra de Maria Elena dizendo que "só o amor não idealizado pode ser romântico". Ela queria que aquelas poucas horas fossem diretamente proporcionais à distância. Já não sabe mais se esse afastamento físico seja o espaço necessário para idealizar ainda mais a figura dele. Idealizar o sorriso, o senso de humor, as camisetas legais e as mãos que preferem ficar nas minhas enquanto dirige. Antes fosse só isso: alguma insanidade e o álcool a deixam na dúvida se algum dia ele poderia vê-la de outra maneira. Daqui a um tempo pode arrepender-se de ter se exposto. Guarda tudo para a próxima vez, sempre a próxima vez. Refere-se a ela mesma na terceira pessoa só pra não tornar ainda mais real o que já é evidente. Vai fazer mais ou menos 48 horas desde que nos vimos e aqui cabe a primeira pessoa, para dizer com toda sinceridade: por favor, não me esqueça. Eu já não vejo a hora de te ver de novo.








Você me deixa na ponta dos pés.

domingo, 30 de outubro de 2011

"I have decided to be happy, because it is good for my health."

Dissertar sobre a leveza das coisas não é atraente, sabemos disso. Uma grande catástrofe, a solidão, uma decepção forte são bem mais sedutoras: é dali que saem nossas palavras mais bonitas. Mas eu decidi, pelo menos por um tempo, me abster da auto-sabotagem em detrimento dos escritos. Tem sido um tempo bom, com companhias agradáveis, notas boas na faculdade e gargalhadas gostosas. E bem por isso, no meio desse alto astral todo lá surge ela, de óculos escuros e chapéu de praia: a ansiedade. Ansiedade é tipo aquela tia fanfarrona que chega na sua casa e não pára de falar. Não te deixa quieta e gosta de estar presente em tudo: desde a hora que você acorda até a hora de dormir (se é que você vai conseguir dormir porque a "tia" tem uma vozinha estridente irritante). Mas ela não é de todo ruim, o frio na barriga que antecede algum acontecimento ou viagem é muito gostoso de se sentir, por exemplo. O ruim é quando aparecem as expectativas. Essas sim são traiçoeiras! Uma amiga não poderia ter descrito melhor: "O problema não está no comportamento dos outros, mas sim nas suas expectativas. Não espere deles o que você faria, ou faz por eles, diminua suas expectativas acerca dos demais, e perceba a diferença." É fato: esperamos demais dos outros. Às vezes nossas vontades são maiores e saímos culpando meio mundo e a Tia Ansiedade por não termos conseguido "superar" nossas expectativas e nos frustramos à toa. Deixa ser. Quando estamos "leves" atraímos coisas boas pra nós, cada dia mais acredito nisso. E nem depende que aconteçam coisas extraordinárias: é preciso pouco pra estar feliz. É difícil ser simples, mas à medida que as pequenas alegrias se tornam presentes, tudo fica mais bonito. Ando contente e decidi: nada vai manchar esse estado de espírito gostoso em que me encontro e ponto final.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sei lá

Eu sinceramente não sei qual será o dia em que as palavras aqui proferidas deixarão de vir com data de validade. Essas pequenas já nascem vítimas de efemeridades. Parecem ficar guardadas junto com uma coleção de sorrisos perecíveis num cantinho do meu subconsciente. Aguardo ansiosamente o dia em que poderei deixá-las quietas, sem precisar montar mosaicos verbais procurando algum sentido nisso. Até porque, eu duvido que exista algum.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

As opiniões alheias só começam a incomodar de verdade quando a opinião de apenas uma pessoa importa. Você não sabe se foge, se tenta se cobrir com alguma capa protetora para se manter seguro de possíveis erros. Você só espera profundamente que os tropeços anteriores não a façam desistir, porque não há como apagar isso. Não há como, de repente, você consertar tudo de ruim que fez até aqui. Você torce pra que essa única pessoa te aceite como você realmente é. Cruza os dedos, faz figa. Porque não quer nem pensar no que poderia (não) acontecer se caso ela não aceitasse...







It's driving me mad.

domingo, 2 de outubro de 2011

À prova d'água

Esperei exatos dois meses. Ensaiei, escrevi e ouvi tudo que pudesse me remeter à você. Marquei possíveis encontros mentais e todos deram errado. Até que, por uma forcinha do destino, estavas ali presente com aquele sorriso atencioso que por sessenta dias eu fechava os olhos pra ter comigo. És, para mim, uma incógnita. Não sei se te idealizo, se as pinturas mentais que tenho de ti fazem jus ao que realmente és. Aí tu me apareces e mostra, indiretamente, que sim. Se todos os meus diálogos ensaiados dessem certo, te diria que adoro quando te vejo. Se minha timidez permitisse, te responderia que adoraria que você viesse à minha cidade mais uma vez (ou infinitas vezes) e que minha casa está sempre aberta. Diria que ninguém até então tinha conseguido furar o escudo invisível que construí para me defender como tu conseguiste. E que ninguém, até o presente momento, tinha tomado de assalto meus pensamentos. Diria que, apesar de seres uma incógnita, tem um sorriso lindo. Que adoro teus cabelos. E que eu me sinto uma babaca por não saber dialogar decentemente contigo cada vez que me diriges a palavra. Queria te descobrir. Queria te mostrar coisas da minha personalidade que talvez te fizessem rir. Te diria que eu não entendo muito de cinema, mas que poderíamos assistir todos os seriados possíveis. Que te escreveria coisas lindas. Que ainda quero te ver acordar mais vezes... Enfim, demonstraria mais. Deixaria de criar situações utópicas e agiria. Talvez o que escrevo já demonstre. Ou talvez seja pouco. Viajei quatros horas pensando nisso. E na saudade antecipada que sentiria do lugar que estava voltando. Engolia o choro e o suco de uva com maestria, até que transbordou. Não me contive. Quem sabe deva me conter menos nesse aspecto mesmo. Ainda bem que o rímel era à prova d'água.







"Qualquer coisa que precisar, dá um toque."







Eu preciso.