Ter predileção por um estereótipo pré-determinado é um saco. E eu sofro desse mal. Analisando conversas, e-mails, conversas internas, etc. e tal chego à conclusão patética de que: quanto mais fingida for a pessoa, mais eu gosto. Nem é por ser ludibriada, enganada, "feita de boba", nem nada. Dá pra perceber sempre quais são as intenções reais de alguém para com você. SEMPRE dá. Pois bem. A pergunta que veio à minha cabeça é: pra que? Por que uma pessoa tem que se dar ao trabalho de construir toda uma "imagem", todo um conceito de si mesma pra outra sendo que não tá nem aí pra ela? O pior não é nem isso. Pra mim a pior parte é aquela em que tu não consegue fingir também, que sempre deixa tuas intenções às claras e ainda por cima compartilha traços daquilo que tu é (de verdade) com aquela pessoa (de mentira). Pessoas mentirosas que não tem propósito algum na merda da vida delas a não ser sair por aí ostentanto seus "feitos", seus troféus humanos. Poderiam muito bem decaptar-nos e colocar nossas cabeças numa parede. Como disse, tenho predileção por idiotas. Porque o padrão é sempre o mesmo. Porque eu gosto de crer que mesmo aquela cara de pau tem algo que podemos chamar de alma. E nem tô falando aqui só de relacionamento amoroso. Isso serve também pras amizades. Me cansa ver gente fazendo um esforço descomunal pra ser aquilo que os outros querem que elas sejam. Ou até que elas querem que os outros pensem que elas sejam. Entendeu? Nem eu. Deu nó. Pra falar bem a verdade, não consigo entender que graça há em tratar as pessoas como pequenos troféus. E abomino isso. Como disse, prefiro a decaptação.
I'm not calling you a liar.
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Sitting all alone inside your head.
Parece até um certo tipo de refúgio. Recorrer a este "rascunho" virtual pra alinhar os pensamentos ou até suturá-los numa tentativa de esvaziar esse pote interno de sensações incômodas. E sufocantes. Suponhamos que eu tenha escolhido as pessoas erradas como escape. Que eu tenha desnudado demais minha personalidade e minha vida a quem tomou isso e jogou fora em uma vala qualquer. Ou até quem quis um quinhão daquilo que conquistei. Posso confessar que, sinceramente eu não sei mais o que as pessoas veem em mim, nem eu sei mais se a visão que tenho delas é a certa. A cada dia que passa fica mais difícil pra mim conviver com particularidades alheias que me machucam e me torturam em silêncio. Por trás daquele sorriso cortês vem surgindo uma mágoa oriunda de uma insatisfação que dói e incomoda. Inútil fugir e fingir que não. Sinto-me como naqueles meses onde os episódios do que era o meu cotidiano vinham recheados de olhares que mais pareciam condenações pelos corredores. Naquele tempo eu tive, agora não sei de onde tirar forças pra engolir o choro e enforcar os fantasmas do passado um por um. Aí eu penso e vejo que priorizei as coisas, as pessoas, os lugares e as posturas erradas. Vejo que me deixei de lado. Sempre tiro um tempo para organizar os compromissos exteriores, a casa, os papéis, os estudos, o corpo. Deixei de lado uma porção que de tão esquecida, adormeceu. Escolhi as válvulas de escape erradas. Elas não foram escape pra nada, foram só a corda que eu coloquei no pescoço esperando pra que alguém puxasse a cadeira. E esse alguém fui eu mesma. Ando com aquela sensação que eu tive há exatos um ano e cinco meses: de que as pessoas estão com um certo "medo" de mim. Que a reclusão esconda a melancolia que a morte de um ente querido traz. Podia dizer que antes era, hoje já não mais. As lembranças boas te ajudam a seguir. Devo dizer que pôr os pézinhos 35-36 no chão não é tarefa fácil. Não quando alguma coisa te assombra, te sufoca e te impede de estar onde você realmente quer estar. Mas eles se importam? Não. Talvez ninguém entenda. E nem deva. Tomar coragem pra assumir as escolhas e as imposições do universo e dizer de um fôlego só: eu sou assim. Parar de procurar explicações e ensaios para se auto-afirmar ou ser pertencente à. Aquilo que nos traz contentamento e prazer tá sempre mais perto e muitas vezes é interno e não externo. Não adianta procurar longe o que está ao alcance da mão. Quando os pensamentos ficam turvos, de nada adianta preencher o copo e a cabeça com entorpecentes. Válvulas erradas, lembra? Então fecho todos os possíveis caminhos de fuga e me assumo. Respiro. Não tento mais apagar ou camuflar meus desacertos, aprendo com eles. Escolho. A partir do momento em que a gente se assume, pode se doar por inteiro aos outros. Prefiro acreditar que seja assim. É difícil se tornar uma pessoa comedida e "melhor" de uma hora pra outra. Tenta-se dando um passo de cada vez. Sem mais apagar passos errados. Acredita-se de novo.
"You can't expect to bitter folks
And while you're outside looking in
Describing what you see
Remember what you're staring at is me"
"You can't expect to bitter folks
And while you're outside looking in
Describing what you see
Remember what you're staring at is me"
quinta-feira, 28 de abril de 2011
O Dia das Mães.
A maioria das coisas que eu costumo "espalhar" por aqui são, na maioria, coisas que eu não consigo dizer pra ninguém. Aliás, eu nunca fui de falar muito do que sinto. Meu jeito. Enfim, hoje eu vou falar do Dia das Mães. Mães, essas mulheres que nos deram a vida e que (eu vejo, eu SEI que todo mundo tem algo pra reclamar da sua) tanto nos ama. Esse dia me dá um misto de inveja e saudade, já que a minha se foi há pouco tempo. Então eu tento me focar no que ela me deixou de bom e, é claro, na minha vó, tias, etc. Mas vamos direto ao ponto. Muitos de nós sempre ouviu que à medida que crescemos, vamos encontrando muito dos nossos pais na gente. Relutamos, negamos, xingamos e dizemos que jamais seremos "chatos". Acredite: vai chegar o dia em que você vai se deparar dizendo e fazendo muito daquilo que seus pais dizem ou fazem. E isso é meio assustador. Ainda mais pra alguém como eu, que tenho alguém sobre a minha responsabilidade. Você vai reclamar da bagunça na casa, vai dizer que tá cansado, vai dar bronca se uma nota vier ruim. Mas, acima de tudo: você vai deixar de ser egoísta. Vai se preocupar com outra pessoa além de você mesmo. Vai se deparar com bilhetes da escola, com apresentações, futebol, machucados. Todas essas coisas chatas que seus pais - principalmente as nossas mães - passaram ou passam por nós. Vai ser responsável, vai ter que cuidar. Mas vai ser gratificante ver que um "serzinho" diz que você é especial, que te chama pra vê-lo jogar bola, mostrar a nota boa no colégio ou dizer que estava com saudades. Uma pergunta que eu sempre me fiz é: como as pessoas conseguem ter filhos sendo que é um comprometimento pra vida toda? Aí eu encontrei a resposta: nossas mães são as mulheres mais guerreiras e maravilhosas do mundo por nos amarem do jeito que somos. E por nos aturarem. Toda vez que você reclamar dela, lembre-se que ela daria e faria qualquer coisa pra nos ver bem. E quer maior generosidade que isso? Hoje eu entendo. Não sou mãe ainda, mas, como certa vez eu li em algum lugar, "pra ser mãe, você precisa deixar de ser filha" e filha eu sei que já não sou mais. Mãe ainda tá longe, mas pensa comigo: tem mulher mais foda que uma mulher que é mãe? Não. A minha era maravilhosa. A sua também é. Portanto, diga que a ama e a faça sentir especial a cada dia que passa. Ela sente orgulho de você. E, ah, nada de deixar a mãe lavar a louça no dia das mães, viu? Que inveja de quem ainda pode abraçar a sua. Saudade de ser a "filha" da Dona Rita. Feliz dia das mães à todas as mulheres que nos querem tão bem.
Meio adiantado, mas tá valendo.
Meio adiantado, mas tá valendo.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
De novo
Espiar a lua da minha janela é tão mais seguro.
E também solitário.
Faz frio lá fora.
Faz frio aqui dentro.
A lua já foi embora.
E também solitário.
Faz frio lá fora.
Faz frio aqui dentro.
A lua já foi embora.
domingo, 17 de abril de 2011
Tapa na cara.
Entre dias de tédio e noites bizarras há aquele intervalo de tempo em que você para pra ver se o que anda acontecendo realmente faz algum sentido. Se teve batata-frita demais, se realmente era uma mistura de Strokes e Tom Yorke. Se quem sabe aquela tatuagem na mão não era realmente uma caveira, se modes se travestem de Pierrot e assistem Pulp Fiction tomando cerveja. Ou até se a estampa de "pois" da saia transformava-se em desenhos psicodélicos lá pelas tantas da madrugada. Indies deprimidos eram ignorados, havia bigodes falantes - e insuportáveis - eu diria. Conterrâneos que riem sozinhos, dançarinos frenéticos rodopiando na pista de dança e pessoas com sotaques parecidos. Vozes, luzes, flashes e minha amiga pedindo um cover de Supergrass. Ah, tinha uma menina tirando foto também. Suponho que seu nome seja Grace...
domingo, 10 de abril de 2011
Fiquei uns 15 minutos com as mãos sobre o teclado tentando achar uma maneira "bonita" de começar esse texto. Texto aliás que não vai sair como eu quero. Paciência. A semana foi pesada, cheia de nós; e terminou densa também. Aliás, hoje o dia amanheceu tão lindo que o sol chegava a machucar. Por dentro. Desde que comecei a "andar com as próprias pernas" sinto como se todos os dias eu tivesse dragões gigantes pra matar. Dragões internos e externos e acredite: os internos são os mais perigosos, gigantes e complicados de dar fim. Porque eles não morrem, só adormecem. E quando acordam trazem consigo uma fúria tão grande que bagunça tudo. Não gosto de falar sobre eles. Não gosto de falar sobre mim ou o que eu sinto. Aquela confusão gigante voltou. Acreditei tanto ser auto-suficiente que os outros também acreditaram. Paciência de novo. O que a maioria não compreende é que depois de perder alguém importante, qualquer coisa que te deixa trsite, traz à tona milhões de memórias. Milhões de coisas que se foram. Milhões de coisas que a gente procura "matar" todos os dias pra conseguir dormir. E pra conseguir se encontrar. Sem um norte fica difícil. Qualquer coisa que machuque, machuca mais profundo. Qualquer pessoa que se afaste já dói. Qualquer falta e saudade são insuportáveis. Talvez seja exagero e até meio ridículo. Mas é o que eu sinto. Eu sinto, sabe? E por mais que não aparente, qualquer escolha que eu faça, é feita em meia a algumas lágrimas e rabiscos num papel. Porque escrever reorganiza meus dragões. E falar de mim, do que realmente me incomoda é tão escroto. Faço questão de encurtar a conversa e dizer que "to, to bem sim". Que mentira! Meu irmão acabou de passar aqui e perguntar: "tá bem? dormiu quase o dia todo". Adivinha qual foi a resposta? O dia de hoje foi sufocante. E ultimamente as respostas a essa pergunta têm sido mentira. Mas a gente para, inventa outras necessidades e segue em frente. Porque mesmo que amanhã seja segunda-feira e tenha dragões pra matar assim que o sol apontar na janela, vai ficar tudo bem. Porque hoje existir foi um fardo. Eu realmente espero que dê tudo certo...
"Era como se seu corpo se enroscasse numa bola, feito uma página cheia de erros. No entanto, dia após dia, conseguia se desamassar." - A Menina Que Roubava Livros
"Era como se seu corpo se enroscasse numa bola, feito uma página cheia de erros. No entanto, dia após dia, conseguia se desamassar." - A Menina Que Roubava Livros
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Perceptível.
Rascunhei umas coisas ontem de madrugada e até tinha começado a colocar apenas alguns trechos aqui nesse meu confessionário público. Acontece que eu fechei a aba do blog sem querer. Enfim. Ando meio bagunçada por dentro. Eu deixei a porta aberta e entraram algumas coisas e pessoas aqui. Me arrependi de algumas, expus meu mundo e meus vagalumes demais. Agora como faz pra tirar? Ciúme assassino e desmedido esse que tenho. Disfarço com zelo, fica mais bonito. Mas a verdade é que morro de medo de perdê-los. Na verdade nem sei o que eu to falando. Já é tarde, estou com sono, meu corpo dói. Mas minha mente não para de dançar um segundo. Sinto falta, mas não sei do quê. Quero coisas que eu não sinto mais, quero colo às vezes. Faço as pessoas acreditarem que independo de coisas demais, inclusive de afeto. É tão mentira! Ando tão confusa, querendo fazer tantas coisas e nada ao mesmo tempo. Algumas saudades tornaram-se tão insuportáveis, alguns rostos tão patéticos que, sinceramente, não vejo mal algum em optar pela reclusão na minha casa, ao invés de disfarçar tudo isso com cerveja e me sufocar ainda mais. É engraçado que as pessoas escolhem o que é mais fácil ver né? Sei que a partir do momento em que conto minha história, não derramarei uma lágrima sequer e por isso serei subjulgada de forma errônea muitas vezes. Não me faço de coitada, mas sentir-se abandonada tem virado uma constante e isso se torna cada vez mais perceptível. Cada vez mais recuso o efêmero, o fugaz, noites insanas e risadas vazias. Tô abrindo mão, talvez. Nunca sei o que eu quero, mas vou procurar ir atrás do que me faz bem. E de quem me faz bem, seja lá quem for e onde esteja. Faço tantos planos e sou tão "nada". Um nada, um vazio infinito que nunca sai do lugar. Quem sabe um dia alguém veja beleza em alguém tão "bagunçado" como eu. Eu realmente espero que sim.
Foi só o frio que chegou.
Foi só o frio que chegou.
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